Estilos de Apego: Ansioso, Evitativo e Seguro no Casal
by Dra. Luciana Massaro, Psicóloga Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental

Você ama intensamente, mas vive com medo de ser abandonada. Ou você se retrai quando o parceiro se aproxima demais, sentindo necessidade de espaço. Ou você consegue estar presente, pedir o que precisa, e confiar que o outro estará lá. Esses padrões têm nome: estilos de apego.
Desenvolvidos na infância, os estilos de apego moldam como nos relacionamos na vida adulta. Mas a boa notícia é: eles podem ser mudados.
Pesquisas mostram que apego ansioso e evitativo melhoraram durante TCC para transtorno de pânico, sugerindo que terapia cognitivo-comportamental pode ter efeitos positivos nas representações de apego. Estudos indicam que através de TCC, é possível desenvolver apego mais seguro em relacionamentos.
Neste artigo, vou explicar os três principais estilos de apego, como eles afetam seus relacionamentos, e como a TCC pode ajudar a desenvolver padrões mais saudáveis. Como especialista em TCC, trabalho com mulheres que querem transformar seus relacionamentos. Se você precisa de apoio, entre em contato.
O Que São Estilos de Apego e Os Três Tipos Principais
John Bowlby desenvolveu a teoria do apego observando como bebês se relacionam com seus cuidadores. Mary Ainsworth identificou os padrões principais. Pesquisas subsequentes mostraram que esses padrões persistem na vida adulta. Importante: estilos de apego são padrões aprendidos, não sentenças fixas. Com consciência e trabalho, podem ser modificados.
Você pode ter padrões diferentes com pessoas diferentes. Pode ser mais ansioso em relacionamentos românticos e mais seguro em amizades. O contexto e a história com cada pessoa influenciam. Evite usar "sou ansiosa" ou "sou evitativo" como identidades fixas. Melhor dizer: "tenho tendência a padrões ansiosos quando sinto medo de abandono." Isso deixa espaço para mudança.

Apego Ansioso: Quando o Medo de Abandono Domina
O apego ansioso caracteriza-se por:
- Preocupacao constante com o relacionamento
- Necessidade frequente de validacao e seguranca
- Sensibilidade elevada a sinais de rejeicao
- Medo de que o parceiro nao ame de verdade
- Tendencia a interpretar ambiguidade como negativa
Comportamentos comuns: Checar mensagens constantemente, buscar reasseguramento repetido, interpretar demora em responder como sinal de problema, sacrificar necessidades proprias para agradar, ciume intenso.
De onde vem: frequentemente, de experiências de cuidado inconsistente na infância — cuidadores que às vezes estavam emocionalmente disponíveis e às vezes não. A criança aprende que precisa "trabalhar" para garantir amor.
Apego Evitativo: Quando a Proximidade Parece Ameaça
O apego evitativo caracteriza-se por:
- Desconforto com intimidade emocional
- Valorizacao extrema de independencia
- Dificuldade de confiar nos outros
- Tendencia a se afastar quando o parceiro se aproxima
- Minimizacao da importancia de relacionamentos
Comportamentos comuns: Evitar conversas sobre sentimentos, criar distancia fisica ou emocional quando ha pressao por proximidade, criticar o parceiro por ser "carente," priorizar trabalho ou outros compromissos sobre o relacionamento.
De onde vem: frequentemente, de experiências de cuidadores emocionalmente distantes ou rejeitadores. A criança aprende que suas necessidades emocionais não serão atendidas e que é mais seguro não precisar.
Apego Seguro: O Padrão Que Queremos Desenvolver
O apego seguro caracteriza-se por conforto com intimidade e independencia, capacidade de expressar necessidades claramente, confianca na disponibilidade do parceiro, nao interpretar ambiguidade automaticamente como negativa, e capacidade de lidar com conflitos sem medo catastrofico.
Comportamentos comuns: Comunicacao aberta sobre necessidades, capacidade de dar e receber apoio, equilibrio entre tempo junto e tempo individual, lidar com desentendimentos sem escalar para crises.
Experiências consistentes de cuidado responsivo criam apego seguro. Mas também pode ser desenvolvido posteriormente, através de relacionamentos reparadores e terapia.
Top tip
A maioria das pessoas tem padrões mistos — tendência predominante com elementos de outros estilos. E padrões podem mudar: relacionamentos saudáveis e trabalho terapêutico criam oportunidade de desenvolver segurança onde antes havia ansiedade ou evitação.
A Armadilha Ansioso-Evitativo e Como Quebrar o Ciclo
Especialistas explicam que estilos ansioso e evitativo frequentemente se atraem, criando o que terapeutas chamam de "armadilha ansioso-evitativa" ou dinâmica de "empurra-puxa." O parceiro ansioso persegue; o evitativo se retrai; isso faz o ansioso perseguir mais intensamente. O ciclo continua até ambos se sentirem exaustos e incompreendidos.
O ansioso interpreta a distância do evitativo como desafio emocionante. O evitativo se sente seguro porque o ansioso não exige que se abra rapidamente. Mas o que atrai inicialmente se torna problema depois. Reconhecer o padrão é primeiro passo. Trabalho individual de cada parceiro nos seus gatilhos. Comunicação sobre necessidades em vez de reações automáticas. Frequentemente, terapia de casal pode ajudar.
Abordagem TCC: Mudando Padrões de Apego
A TCC oferece caminho para desenvolver apego mais seguro. Pesquisas indicam que TCC opera em uma ideia simples mas poderosa: pensamentos, sentimentos e comportamentos estão conectados. Quando você muda um, pode mudar os outros.
Como a TCC trabalha com apego:
- Identificacao de crencas centrais como "Vou ser abandonada" ou "Depender e fraqueza"
- Reestruturacao cognitiva para desenvolver interpretacoes mais equilibradas
- Experimentos comportamentais para testar crencas na pratica
- Treino de comunicacao para expressar necessidades de forma clara e nao-defensiva

Estratégias Práticas Para Padrões Ansiosos
Pause antes de reagir. Quando sentir urgência de checar, ligar, buscar reasseguramento — espere. Observe a ansiedade sem agir. Ela passa. Questione interpretações. "Ele não respondeu = ele não me ama?" Há outras explicações possíveis? Desenvolva autocalmante. Em vez de buscar regulação no outro, pratique formas de se acalmar: respiração, diálogo interno compassivo, atividades prazerosas.
Uma técnica poderosa para o apego ansioso é o "delay and distract" — quando sentir o impulso de mandar uma mensagem verificando se está tudo bem, espere 30 minutos e ocupe-se com algo. Frequentemente, a urgência passa e você percebe que a ansiedade não refletia a realidade.
Estratégias Práticas Para Padrões Evitativos
Identifique desconforto com proximidade. Quando sentir vontade de se afastar, pergunte: o que exatamente me incomoda aqui? Pratique vulnerabilidade gradual. Compartilhe algo um pouco mais pessoal do que o habitual. Observe que nada de terrível acontece. Reconheça necessidades. Você tem necessidades emocionais — mesmo que tenha aprendido a minimizá-las. Que necessidades você evita reconhecer?
Para quem tem padrões evitativos, pode ajudar lembrar que proximidade emocional não significa perda de autonomia. Você pode estar conectada E manter sua individualidade. Não são escolhas excludentes. Muitas pessoas evitativas descobrem que quando permitem mais proximidade, na verdade se sentem mais livres, não menos.
Para Casais Com Padrões Diferentes
Pesquisas mostram diferença significativa em habilidades de comunicação, funcionamento familiar e estilos de resolução de conflito após terapia cognitivo-comportamental familiar para casais com apego inseguro.
Nomeiem o padrão juntos. "Estamos entrando no ciclo de perseguição-fuga." Nomear tira poder automático. O ansioso precisa de mais reasseguramento; o evitativo precisa de mais espaço. Ambas são necessidades legítimas que podem ser negociadas.
Para mais sobre dependência emocional, leia sobre reconhecendo seus padrões.
Exercício Para Identificar Seu Padrão e Quando Buscar Ajuda
Pense em uma situação recente de conflito ou desconforto em relacionamento. Descreva o que aconteceu. O que você pensou automaticamente? Que interpretação deu à situação? O que você sentiu? Ansiedade, medo, irritação, necessidade de fugir? O que você fez? Perseguiu, se afastou, buscou reasseguramento, criticou? O que isso sugere sobre seu padrão predominante?
Busque ajuda profissional se seus padrões estão prejudicando relacionamentos consistentemente, se você reconhece o padrão mas não consegue mudar sozinha, se há história de trauma que sustenta os padrões, ou se você quer trabalho estruturado para desenvolver segurança.
Especialistas indicam que terapias baseadas em apego como Terapia Focada na Emoção (EFT) ou TCC Baseada em Apego (AB-TCC) podem ser benéficas. TCC também é eficaz, focando em mudar pensamentos e comportamentos que mantêm padrões no presente.
Considerações Finais
Estilos de apego são padrões aprendidos — e o que foi aprendido pode ser reaprendido. Você não está presa ao modo como se relaciona hoje. Essa é talvez a mensagem mais importante deste artigo: padrões de apego não são destino, são tendências que podem ser modificadas com consciência e trabalho intencional.
Pesquisas mostram que através de terapia e TCC, é possível desenvolver apego mais seguro em relacionamentos. À medida que o apego se torna mais seguro, pessoas também passam a se atrair por outros com padrões mais saudáveis. Isso cria um ciclo virtuoso: quanto mais seguro você se torna, mais atrai e é atraída por parceiros também seguros.
A jornada para apego mais seguro não é sobre se tornar alguém diferente — é sobre se tornar mais você mesma, com menos medo. Menos medo de abandono. Menos medo de proximidade. Mais capacidade de estar presente, de pedir o que precisa, de confiar que você merece amor e conexão.
O trabalho de mudança de padrões de apego é profundo e requer tempo, mas os resultados transformam não apenas seus relacionamentos românticos, mas também amizades, relações profissionais e a relação consigo mesma. Quando você desenvolve uma base mais segura internamente, toda sua forma de se conectar com os outros muda.
Para entender como discussões repetitivas podem estar ligadas a padrões de apego, leia nosso artigo especializado. Se você quer trabalhar seus padrões de apego, entre em contato para agendar uma avaliação.
Este artigo tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional. Padrões de apego enraizados em trauma podem exigir trabalho terapêutico especializado.
