Ataques de Pânico vs Ansiedade: 5 Diferenças Fundamentais
by Dra. Luciana Massaro, Psicóloga Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental

Você está no meio de uma reunião importante quando, de repente, seu coração dispara. As mãos começam a suar, a respiração fica curta. Sua mente acelera: "O que está acontecendo comigo? Estou tendo um infarto?" Essa experiência intensa pode ser um dos muitos ataques de pânico que afetam milhões de profissionais, ou pode ser uma crise de ansiedade. A diferença entre os dois é fundamental para buscar o tratamento correto.
Essa cena é mais comum do que você imagina. Segundo a Anxiety and Depression Association of America, 28% dos profissionais já tiveram um ataque de pânico no trabalho. Mas aqui está o problema: a maioria não sabe distinguir ataques de pânico de crises de ansiedade, e essa confusão pode atrasar a busca por ajuda adequada.
Se você é uma mulher em posição de liderança, a estatística é ainda mais relevante: mulheres têm o dobro de probabilidade de desenvolver transtorno de pânico em comparação aos homens. Entender a diferença entre ansiedade e pânico não é apenas uma questão técnica. É o primeiro passo para retomar o controle.
Se você está vivenciando episódios intensos e quer entender melhor o que está acontecendo, agende uma avaliação.
O Que É Ansiedade (E Como Ela Se Manifesta)
A ansiedade é uma resposta natural do nosso organismo diante de situações percebidas como ameaçadoras ou desafiadoras. Ela está ligada ao córtex pré-frontal, a parte do cérebro responsável pelo planejamento e antecipação do futuro. Em outras palavras: a ansiedade é sobre o que pode acontecer.
Quando você fica preocupada com uma apresentação importante na semana que vem, quando não consegue parar de pensar nos cenários que podem dar errado, quando sente uma tensão constante que não passa, isso é ansiedade.
Os sintomas costumam incluir:
- Preocupação excessiva e persistente
- Dificuldade de concentração ou "branco" mental
- Irritabilidade
- Tensão muscular (especialmente pescoço e ombros)
- Problemas de sono
- Sensação de estar sempre "no limite"
A ansiedade se desenvolve gradualmente. Você consegue identificar o que está causando o desconforto, mesmo que seja difícil controlá-lo. É como um volume que vai aumentando aos poucos, não um susto repentino.
Para entender melhor como a ansiedade funciona e quando ela deixa de ser adaptativa, leia 3 Aspectos Fundamentais Sobre a Ansiedade na Vida Moderna.
O Que É Um Ataque de Pânico
Um ataque de pânico é completamente diferente. Ele surge abruptamente, sem aviso prévio, muitas vezes sem nenhum gatilho aparente. Você pode estar relaxando em casa, dirigindo para o trabalho ou até dormindo quando ele acontece.
Segundo o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), um ataque de pânico é caracterizado por uma onda intensa de medo ou desconforto que atinge seu pico em aproximadamente 10 minutos e inclui pelo menos 4 dos seguintes sintomas:
- Palpitações ou coração acelerado
- Sudorese
- Tremores
- Falta de ar ou sensação de sufocamento
- Dor ou desconforto no peito
- Náusea
- Tontura ou vertigem
- Calafrios ou ondas de calor
- Formigamento (parestesias)
- Sensação de irrealidade (desrealização)
- Medo de perder o controle ou "enlouquecer"
- Medo de morrer
Esses dois últimos sintomas são especialmente importantes. Durante um ataque de pânico, muitas pessoas genuinamente acreditam que estão morrendo ou perdendo a sanidade. Isso não é exagero ou fraqueza. É uma resposta neurobiológica: a amígdala, estrutura cerebral responsável por detectar ameaças imediatas, é ativada de forma intensa, disparando uma cascata de reações físicas.
Enquanto a ansiedade está ligada ao córtex pré-frontal (futuro e planejamento), o pânico está ligado à amígdala (perigo imediato). É por isso que o pânico parece tão visceral e urgente.
As 5 Diferenças Fundamentais
1. Início e Gatilhos
Ataque de pânico: Surge de forma abrupta, muitas vezes sem nenhum gatilho identificável. Pode acontecer durante o sono.
Crise de ansiedade: Desenvolve-se gradualmente em resposta a um estressor específico. Você consegue nomear o que está causando a preocupação.
2. Duração
Ataque de pânico: Curto e intenso. Atinge o pico em cerca de 10 minutos e geralmente dura entre 5 e 20 minutos (máximo 30 minutos).
Crise de ansiedade: Pode durar horas, dias ou até semanas, dependendo da persistência do estressor.
3. Intensidade dos Sintomas Físicos
Ataque de pânico: Extremamente intensa. Os sintomas físicos são avassaladores e frequentemente confundidos com emergências médicas (infarto, AVC).
Crise de ansiedade: Moderada e mais difusa. Os sintomas são desconfortáveis, mas raramente incapacitantes no mesmo grau.
4. Sensação de Controle
Ataque de pânico: Perda total de controle. A pessoa sente que está à mercê do que está acontecendo, sem capacidade de intervir.
Crise de ansiedade: Desconforto significativo, mas a pessoa geralmente consegue continuar funcionando, mesmo que com dificuldade.
5. Depois do Episódio
Ataque de pânico: Exaustão profunda, como se tivesse corrido uma maratona. Frequentemente desenvolve-se medo de ter outro ataque (ansiedade antecipatória).
Crise de ansiedade: Alívio gradual quando o estressor é resolvido ou quando consegue se distrair.
Top tip
Resumo Comparativo
| Aspecto | Ataque de Pânico | Crise de Ansiedade |
|---|---|---|
| Início | Abrupto, sem aviso | Gradual |
| Duração | 5-20 minutos | Horas a semanas |
| Gatilho | Frequentemente ausente | Identificável |
| Intensidade | Extrema | Moderada |
| Sensação dominante | "Vou morrer/enlouquecer" | Preocupação persistente |
Por Que Mulheres Executivas São Mais Vulneráveis
Se você é uma mulher em cargo de liderança, enfrenta o que podemos chamar de dupla vulnerabilidade. Por um lado, há o fator biológico: mulheres têm duas vezes mais probabilidade de desenvolver transtorno de pânico. Por outro, há os estressores ocupacionais específicos que afetam desproporcionalmente mulheres em posições de poder.
Uma pesquisa publicada na Harvard Business Review mostrou que mulheres executivas relatam consistentemente mais estresse, ansiedade e sofrimento psicológico que homens em posições equivalentes. Os fatores incluem:
Sobrecarga de papéis: A expectativa de ser excelente no trabalho enquanto gerencia responsabilidades familiares e domésticas cria uma carga mental constante.
Ambientes masculinizados: Trabalhar em setores ou empresas dominados por homens aumenta significativamente os níveis de estresse relatados.
Disparidade salarial: A desigualdade persistente funciona como um estressor crônico, sinalizando que seu trabalho vale menos.
Síndrome da impostora: A sensação de não pertencer ou de que "vão descobrir" que você não é tão competente quanto parece é especialmente prevalente em mulheres de alta performance. Para entender melhor esse fenômeno, leia Síndrome da Impostora: O Que 75% das Executivas Sentem.
Esses estressores crônicos mantêm o sistema nervoso em estado de alerta constante, o que pode funcionar como terreno fértil para ataques de pânico.
Como a TCC Trata Cada Condição
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é considerada o tratamento padrão-ouro para transtornos de ansiedade e pânico. Uma meta-análise com 2.843 pacientes mostrou que a TCC tem taxa de resposta 2,97 vezes maior que placebo para transtornos de ansiedade.
Para Ansiedade
O foco está na reestruturação cognitiva: identificar os pensamentos automáticos que alimentam a preocupação e questioná-los sistematicamente.
Por exemplo, se você pensa "Se essa apresentação der errado, minha carreira acabou", a TCC ajuda a examinar essa crença: É realmente verdade? Qual a evidência a favor e contra? Qual seria um pensamento mais realista?
Esse trabalho também envolve identificar distorções cognitivas como catastrofização, leitura mental e pensamento tudo-ou-nada. É importante notar que ansiedade e depressão frequentemente coexistem, e a TCC pode abordar ambas as condições simultaneamente.
Para Ataques de Pânico
O tratamento inclui uma técnica específica chamada exposição interoceptiva. A ideia é provocar deliberadamente as sensações físicas do pânico (por exemplo, correr no lugar para acelerar o coração, hiperventilar brevemente) em ambiente controlado.
Por que isso funciona? Durante um ataque de pânico, o que mantém o ciclo é a interpretação catastrófica das sensações físicas. "Meu coração está acelerado, devo estar tendo um infarto." A exposição interoceptiva ensina ao cérebro que essas sensações são desconfortáveis, mas não perigosas.
Os estudos mostram que esse componente da TCC é especialmente eficaz para transtorno de pânico, mais do que técnicas de relaxamento isoladas.
3 Técnicas Práticas Para Lidar no Momento
Enquanto o tratamento profissional é fundamental para casos recorrentes, existem técnicas que podem ajudar no momento em que os sintomas aparecem.
1. Técnica 5-4-3-2-1 (Grounding)
Esta técnica ajuda a ancorar você no presente quando a mente começa a disparar. Funciona assim:
- 5 coisas que você pode VER (olhe ao redor e nomeie)
- 4 coisas que você pode TOCAR (sinta texturas diferentes)
- 3 coisas que você pode OUVIR (preste atenção aos sons)
- 2 coisas que você pode CHEIRAR
- 1 coisa que você pode PROVAR
Ao engajar os cinco sentidos, você traz a atenção de volta ao momento presente, interrompendo o ciclo de pensamentos catastróficos.
2. Respiração Diafragmática
A respiração acelerada e superficial alimenta os sintomas de pânico. A respiração diafragmática ativa o sistema nervoso parassimpático, sinalizando ao corpo que não há perigo imediato.
- Inspire lentamente pelo nariz por 4 segundos, expandindo a barriga
- Segure por 2 segundos
- Expire pela boca por 6 segundos
- Repita por 2-3 minutos
O segredo está na expiração mais longa que a inspiração. Isso ativa a resposta de relaxamento.
3. Reframing Cognitivo
Durante um ataque de pânico, lembre-se:
- "Isso é desconfortável, mas não é perigoso"
- "Já passei por isso antes e passou"
- "Meu corpo está reagindo a uma falsa ameaça"
- "Em 10-20 minutos, isso vai diminuir"
Pode ser útil ter essas frases anotadas no celular para acessar quando precisar. O objetivo não é eliminar o desconforto instantaneamente, mas evitar que a interpretação catastrófica amplifique os sintomas.
Quando Procurar Ajuda Profissional
Ter um ataque de pânico isolado não significa que você tem um transtorno. Muitas pessoas terão pelo menos um episódio na vida. No entanto, alguns sinais indicam que é hora de buscar avaliação especializada:
- Ataques de pânico recorrentes
- Preocupação constante sobre ter outro ataque
- Evitação de lugares ou situações por medo de ter um ataque
- Ansiedade que interfere significativamente no trabalho ou relacionamentos
- Sintomas físicos que foram descartados como problemas médicos
É importante ressaltar: buscar ajuda não é sinal de fraqueza. 28% dos profissionais passam por isso. É uma resposta do sistema nervoso, não uma falha de caráter ou competência.
Como psicóloga especialista em TCC, trabalho frequentemente com mulheres executivas que chegam ao consultório achando que "deveriam dar conta sozinhas". A verdade é que a TCC oferece ferramentas específicas e baseadas em evidência que aceleram significativamente a recuperação.
Se você está vivenciando ataques de pânico ou ansiedade que impactam sua vida profissional ou pessoal, entre em contato. O primeiro passo é entender exatamente o que está acontecendo, e a partir daí, construir um caminho de volta ao controle.
