TDPM: Quando a TPM Vira Depressão - Sintomas e Tratamento

by Dra. Luciana Massaro, Psicóloga Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental

TDPM: Quando a TPM Vira Depressão - Sintomas e Tratamento

Uma semana por mês, você se torna outra pessoa. Uma versão de você que está irritada com tudo, que chora por motivos mínimos, que fica tão triste que pensa que a vida não vale a pena. Quando a menstruação chega, você volta ao normal — e se pergunta o que aconteceu, sentindo vergonha e culpa pelo que disse ou fez.

Se isso soa familiar, você pode não estar enfrentando "apenas TPM." Pode ser Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM) — uma condição reconhecida no DSM-5 que vai muito além dos desconfortos típicos do ciclo menstrual.

Dados de 2024 da Universidade de Oxford mostram que aproximadamente 1,6% das mulheres têm TDPM sintomático — o equivalente a cerca de 31 milhões de mulheres globalmente. Uma proporção maior (3,2%) tem diagnósticos provisórios onde a condição é suspeita mas ainda não confirmada.

Neste artigo, vou explicar o que é TDPM, como diferenciá-lo de TPM comum, e quais são as opções de tratamento. Como especialista em TCC, trabalho com mulheres enfrentando essa condição. Se você precisa de ajuda, entre em contato.

O Que É TDPM e Como Difere da TPM

O Transtorno Disfórico Pré-Menstrual não é TPM "forte" — é uma condição distinta. O DSM-5 define TDPM como uma coleção de sintomas físicos, cognitivos e afetivos que causam sofrimento clinicamente significativo ou interferência no funcionamento. Os sintomas ocorrem nos sete dias antes do início da menstruação e se tornam mínimos ou ausentes após o início do período.

A TPM afeta a maioria das mulheres em algum grau — desconforto, sensibilidade emocional, cólicas. O TDPM é diferente:

  • Os sintomas são muito mais intensos
  • Causam prejuízo real no trabalho, relacionamentos e funcionamento diário
  • Incluem sintomas psiquiátricos significativos como depressão severa
  • Podem incluir ideação suicida durante a fase pré-menstrual

O TDPM só foi incluído como diagnóstico oficial no DSM-5 em 2013. Antes disso, muitas mulheres com TDPM eram sub-diagnosticadas ou erroneamente tratadas. Ainda hoje, pesquisas indicam que pacientes frequentemente caem nas brechas entre serviços de ginecologia e saúde mental. Se você está lidando com ansiedade persistente, pode ser útil entender como ela se relaciona com seu ciclo.

Monitorando padrões de humor ao longo do ciclo

Sintomas do TDPM

Para diagnóstico de TDPM, pelo menos cinco sintomas devem estar presentes, incluindo pelo menos um sintoma de humor.

Sintomas de Humor (pelo menos um obrigatório)

Labilidade afetiva marcada: mudanças de humor intensas e rápidas, choro fácil, sensibilidade extrema a rejeição. Irritabilidade intensa ou aumento de conflitos interpessoais. Humor deprimido marcado, sentimentos de desesperança, pensamentos autodepreciativos. Ansiedade ou tensão acentuadas, sensação de estar "no limite."

Outros Sintomas Possíveis

Diminuição do interesse em atividades habituais. Dificuldade subjetiva de concentração. Fadiga ou letargia. Alteração marcada do apetite, compulsão alimentar. Insônia ou hipersonia. Sensação de estar sobrecarregada ou fora de controle. Sintomas físicos como sensibilidade mamária, inchaço, dor nas articulações.

Critérios Temporais

Os sintomas devem iniciar na semana antes da menstruação, melhorar poucos dias após o início do fluxo, e estar mínimos ou ausentes na semana pós-menstrual. Esse padrão deve ser confirmado por pelo menos dois ciclos de monitoramento prospectivo.

Top tip

A diferença crucial entre TDPM e TPM: no TDPM, os sintomas causam prejuízo significativo no trabalho, relacionamentos ou funcionamento diário. Se você "funciona normalmente" apesar do desconforto, provavelmente é TPM. Se você "não consegue funcionar" uma semana por mês, pode ser TDPM.

Causas e Diagnóstico do TDPM

A ciência ainda está desvendando os mecanismos do TDPM. Evidências emergentes apoiam a teoria de que o aumento acentuado de hormônios esteroides ovarianos produz os sintomas negativos de humor em mulheres vulneráveis. A ação de metabólitos da progesterona, particularmente alopregnanolona, nos receptores GABA-A foi proposta como mecanismo. Em outras palavras: não é que seus hormônios estejam "errados" — é que seu cérebro responde a eles de forma diferente.

Pesquisas de 2024 mostram evidência de desregulação do eixo HPA (hipotálamo-pituitária-adrenal) no TDPM. Os fatores de risco incluem histórico pessoal ou familiar de depressão, histórico de trauma, estresse crônico, e transtorno bipolar.

O diagnóstico pode ser complicado. O padrão ouro é rastrear sintomas diariamente por pelo menos dois ciclos menstruais. É importante diferenciar de:

  • Depressão maior: sintomas persistem ao longo de todo o ciclo
  • Transtorno bipolar: episódios não seguem exclusivamente o ciclo
  • Ansiedade generalizada: presente ao longo de todo o ciclo

Muitas mulheres ouvem "é só TPM" por anos antes de receberem diagnóstico adequado. Se seus sintomas são severos e interferem na sua vida, você merece investigação e tratamento. Entender a diferença entre depressão e tristeza comum pode ajudar nessa avaliação.

Tratamento: O Que Funciona

Existem opções eficazes de tratamento para TDPM, e a boa notícia é que a maioria das mulheres responde bem a pelo menos uma das abordagens disponíveis. O tratamento geralmente é individualizado, considerando a severidade dos sintomas, histórico médico, e preferências pessoais.

Primeira Linha: Antidepressivos ISRS

Os antidepressivos da classe ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina) são considerados tratamento de primeira linha para TDPM. Meta-análises recentes mostram que paroxetina contínua apresentou maior efeito em todos os domínios de sintomas avaliados. ISRS intermitentes (tomados apenas na fase lútea) são particularmente eficazes para irritabilidade e raiva.

Estudos comparando dosagem contínua versus dosagem na fase lútea mostram que ambas as estratégias são eficazes. A escolha depende da preferência da paciente e do perfil de sintomas.

Contraceptivos Orais

Drospirenona/etinilestradiol (regime 24/4) é o contraceptivo oral combinado mais estudado e eficaz para TDPM, mostrando resultados particularmente positivos tanto para sintomas físicos quanto emocionais. Esta opção pode ser especialmente útil para mulheres que também desejam contracepção.

Tratamentos Hormonais

Progesterona oral micronizada é uma opção potencial, oferecendo menor risco de efeitos androgênicos comparado a outros progestogênios.

Abordagens em Pesquisa

Novas abordagens terapêuticas incluem inibição de receptores de progesterona no cérebro, redução da conversão de progesterona em alopregnanolona, e modulação da ação da alopregnanolona no sistema GABAérgico. Pesquisas também exploram terapias anti-inflamatórias direcionadas.

Encontrando alívio e suporte para TDPM

Abordagem TCC e Estratégias de Autocuidado

A psicoterapia pode ser componente importante do tratamento para TDPM, especialmente quando combinada com outras abordagens. Muitas executivas encontram na terapia um espaço seguro para processar as dificuldades emocionais que surgem durante a fase pré-menstrual, além de desenvolver habilidades práticas para o dia a dia. Pesquisas de 2025 indicam que combinação de técnicas de TCC e DBT é recomendada para programas de saúde mental voltados para TDPM. No trabalho terapêutico, ajudamos você a rastrear padrões de humor, antecipar períodos difíceis, e implementar estratégias preventivas.

A reestruturação cognitiva é fundamental. Os pensamentos negativos que surgem no TDPM parecem muito reais. Trabalhamos para lembrar: "Este pensamento vem da fase pré-menstrual. Em uma semana, vou ver diferente." Também desenvolvemos tolerância ao desconforto, regulação emocional e habilidades interpessoais. Quando apropriado, ajudamos parceiros e familiares a entenderem o que acontece — não para desculpar comportamentos, mas para criar ambiente de suporte.

Antes da fase pré-menstrual: reduza estressores previsíveis, adie decisões importantes, comunique a pessoas próximas, garanta sono adequado e alimentação equilibrada.

Durante a fase pré-menstrual: reconheça que os pensamentos negativos podem ser amplificados, evite grandes confrontos ou decisões, pratique técnicas de relaxamento, permita-se mais descanso.

Após a menstruação: use a fase de bem-estar para planejar a próxima fase difícil, recupere-se sem culpa excessiva, cultive relacionamentos e atividades significativas. Lidar com a ruminação mental também pode ajudar nesse processo.

Quando Buscar Ajuda e Próximos Passos

Busque avaliação se seus sintomas pré-menstruais causam prejuízo significativo no trabalho, relacionamentos ou funcionamento diário. Também é importante procurar ajuda se você tem pensamentos de morte ou de se machucar durante a fase pré-menstrual, se tentou mudanças de estilo de vida sem melhora, ou se você está incerta se é TPM ou algo mais.

O ideal é avaliação multiprofissional: ginecologista para descartar causas físicas e avaliar opções hormonais, psiquiatra para avaliação de medicação (ISRS), e psicóloga para estratégias de enfrentamento e suporte. Para quem está na transição para a menopausa, leia sobre depressão na menopausa.

O TDPM não é "apenas TPM." É uma condição médica real que afeta milhões de mulheres — e que pode ser tratada eficazmente. Você não precisa perder uma semana por mês para sintomas debilitantes. Se você se reconheceu neste artigo, o primeiro passo é começar a rastrear seus sintomas ao longo de dois ciclos. Isso ajuda a confirmar o padrão e fornece informações valiosas para qualquer profissional que você consultar.

Você merece se sentir bem durante todo o mês — não apenas durante parte dele. O TDPM é uma condição tratável, e com o suporte adequado, é possível recuperar qualidade de vida e funcionalidade em todas as fases do ciclo. Não aceite a narrativa de que esse sofrimento é "normal" ou que você precisa simplesmente "aguentar."

Se você se identificou com o que leu, entre em contato para agendar uma avaliação. Como psicóloga especialista em TCC, posso ajudar você a desenvolver estratégias eficazes para lidar com o TDPM e viver plenamente, independentemente da fase do seu ciclo.


Este artigo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica ou psicológica. Decisões sobre tratamento medicamentoso devem ser tomadas em conjunto com ginecologista e/ou psiquiatra. Se você está em crise ou tem pensamentos de se machucar, busque atendimento imediato através do CVV (188) ou de serviços de emergência.

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